Para se entender uma profissão é necessário conhecer sua trajetória histórica.
RP apareceu no Brasil pela primeira vez em 1914, nos moldes americanos, através de uma empresa multinacional que desejava ter um departamento de Relações Públicas. Mesmo com esse marco inicial a área permaneceu inerte no país por mais de 40 anos, passando a ter um papel significativo somente após a década de 50.
As Relações Públicas foram grandemente utilizadas para ajudar na transição e instalação das multinacionais no Brasil na época dos “50 anos em 5″ de Kubitschek, que foi um bom momento devido ao desenvolvimento do meios de comunicação (rádio e televisão). Em 1954 surge então a ABRP – Associação Brasileira de Relações Públicas – e logo em seguida, em 1960, a função de RP é regulamentada pelo Estado brasileiro. A profissão na época atendia às necessidades das multinacionais, principalmente no quesito gerencial dos relacionamentos entre empresa e público.
Depois do golpe militar a profissão tomou um novo rumo, sendo vista pelo governo como uma função estratégica para divulgar as ideologias da Ditadura Militar. Para isso foi criada a primeira Assessoria Especial de Relações Públicas (AERP), que deveria administrar as relações públicas no Poder executivo.
Já nesta época, quem ocupava cargos de relações públicas tinha que ser graduado na área específica. Graças ao governo a profissão passou a ser mais popular, porém os profissionais em sua maioria passaram a ser chefiados por militares formados na área. Com isso, surgiu um grande problema, que foi a associação da imagem de RP com a Ditadura e com a manipulação de informações.
O que não estava relacionado a RP no governo sofreu censura e a profissão ficou presa a comunicação interna informativa, a eventos e assessoria de imprensa. Ao mesmo tempo em que crescia a euforia do governo militar, foram se instaurando cursos improvisados de Relações Públicas.
Ao final da Ditadura a profissão teve que passar por mais uma reestruturação, mas agora com o dever de desvincular sua imagem com o antigo governo. Neste momento é que foram reunidos os cursos de Relações Públicas, Jornalismo, Audiovisual e Publicidade e Propaganda em uma só categoria chamada Comunicação Social.
A partir de então as pessoas passaram a visualizar a área de Relações Públicas com uma ênfase mais estratégica. Ao mesmo tempo também passou a ser trabalhada a idéia de Relações Públicas Comunitárias, atuando não somente em empresas e no governo, mas também em movimentos sociais e ONG’s.
Com o avanço da tecnologia na década de 90 e as constantes mudanças provenientes de tal progresso, as empresas – inclusive as muitas agências de comunicação surgidas na época – tiveram que correr para acompanhar as transformações. No meio acadêmico buscava-se ainda uma teoria que fosse adequada às necessidades nacionais e o papel de RP passou a ser questionado. Atualmente existem muitas definições e funções para RP, devido principalmente às muitas necessidades comunicacionais do Brasil.
Podemos afirmar, portanto, que a profissão de Relações Públicas é dinâmica, já que lida com públicos que estão em constante transformação.
Segue abaixo algumas dicas de leitura para maior aprofundamento na história de RP no Brasil. Lembre-se: somente com informação é que será possível ENTENDER RP
Referências:
Kunsch, Waldemar Luiz, 2006, Do mercado à academia: as relações públicas em seu primeiro centenário (1906-2006)
Disponível em: http://www.portcom.intercom.org.br/ojs-2.3.1-2/index.php/revistaintercom/article/viewFile/213/206
Ferrari, Maria Aparecida: O desenvolvimento das Relações Públicas nos países do Mercosul: história e trajetória da atividade
http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/7/70/GT2Texto009.pdf
Kunsch, Margarida; 1997, Relações Públicas e Modernidade; Novos Paradigmas na comunicação organizacional.
Leitura Recomendada:
História das Relações Públicas; Fragmentos da memória de uma área, 2008, Claudia Peixoto de Moura (org.)
Disponível em: http://www.portal-rp.com.br/livros/historiarp.pdf
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