Dia Latino-Americano da Luta pela Valorização das Relações Públicas

22/11/2010

Hoje 22 de novembro é dia Latino – Americano da Luta pela Valorização das Relações Públicas. Este movimento começou em 2006 e vem a ano a ano tomando proporções cada vez maiores! Neste dia alunos e profissionais da área realizam debates, eventos, campanhas em suas regiões para valorizar a profissão e torná-la ainda mais conhecida.

Eu acredito que seja muito louvável a iniciativa de todos os envolvidos neste dia e que toda a trajetória histórica da profissão explica a situação em que nos encontramos hoje. Também acredito que a questão da valorização da profissão vai acontecer conforme a profissão for mais difundida e entendida pela sociedade.

É importante que nós os alunos e profissionais da área, quando alguém nos pergunta o que fazemos (e em seguida perguntam o que é isso?!), saibamos explicar a nossa atuação e não apenas dar respostas simples que não irão acrescentar nada para a pessoa.

Neste blog já existem algumas matérias objetivas que explicam o campo de atuação das relações públicas, indique ENTENDA RP para aqueles que ainda não conhecem ou compreendem a profissão!

Leitura Recomendada:

Manifesto pela Valorização das Relações Públicas:

http://migre.me/2oV9U

 

RP no Governo

08/11/2010

Como já foi visto no histórico de RP, a profissão teve um papel fundamental na época da Ditadura, visto que ela cuidava de todo o departamento que deveria “vender” a imagem do Governo. No entanto, mesmo tendo passado tanto tempo desde o fim do governo militar, ainda é possível ver a necessidade de um profissional que faça a mediação entre a sociedade e o governo.

Muitos não sabem, mas existe uma legislação federal que exige da cidade um planejamento participativo, isto é, em conjunto entre o governo e a sociedade. Esta Lei está prevista na Resolução 25 do Conselho das Cidades (Ministério das Cidades) no seu Artigo 3º, §1º, que estabelece que a coordenação do processo participativo de elaboração do Plano Diretor deve ser compartilhada, por meio da efetiva participação de poder público e da sociedade civil, em todas as etapas do processo, desde a elaboração até a definição dos mecanismos para a tomada de decisões. O Artigo 4º especifica que o processo de planejamento deverá conter os requisitos de ampla comunicação pública, em linguagem acessível, através dos meios de comunicação social de massa disponíveis; também deve informar o cronograma e os locais das reuniões, da apresentação dos estudos e propostas sobre o plano diretor com antecedência mínima de 15 dias, inclusive com publicação e divulgação dos resultados dos debates e das propostas adotadas nas diversas etapas do processo.

RP é muito importante não só nesse processo, mas também para divulgar adequadamente as ações do Governo para a sociedade, bem como criar canais de ouvidoria a fim de tornar o processo administrativo mais dinâmico. Isso sem contar com as outras funções de RP já mencionadas anteriormente aqui no Blog.

Conforme Andrade em Para entender Relações Públicas 1993, p. 44 “O governo democrático é produto das opiniões e atitudes do povo, as quais, por sua vez, resultam das informações que lhe são fornecidas”.

Leitura Recomendada:

Mais informações sobre Plano Diretor e Planejamento Participativo nas Prefeituras

http://www.planosdiretores.com.br/downloads/T6.pdf

Diário Oficial da União – Resolução 25 do Ministério das Cidades

http://migre.me/24ERQ

Por quê se preocupar com relacionamento entre pessoas?

07/11/2010

Em meu segundo ano de faculdade a revista Veja publicou uma matéria sobre as profissões do futuro e, para a minha surpresa, RP estava entre elas. Na época, RP estava em 7º lugar ao lado de profissões ligadas ao meio ambiente e tecnologia (o que para mim até faziam sentido).

Os moldes das organizações contemporâneas e da sociedade se modificam constantemente. Hoje não são mais os métodos tradicionais que ditam as regras; não basta mais a empresa fazer propaganda em horário nobre para aumentar suas vendas. Não basta mais o cliente comprar o produto, consumi-lo e pronto. Hoje se fazem cada vez mais necessárias a interação e a aproximação das empresas com a sociedade. A internet modificou todo o formato de transmissão de informação, as redes sociais obrigam empresas a saberem o que é falado sobre elas, praticamente em tempo real. As opiniões de blogueiros são mais valorizadas do que campanhas de publicidade. Sendo assim, vemos que agora as pessoas é que estão em primeiro plano, e para alcançá-las é necessário um profissional que entenda o comportamento humano, mesmo que dentro das limitações que a própria profissão impõe. É necessário alguém que conheça o histórico da empresa em que trabalha ou presta serviço, que tenha conhecimento para planejar ações eficazes e que tenha habilidade técnica em conjunto com seu planejamento para explorar as novas ferramentas de aproximação e que, no atual mundo globalizado e conectado, podem alçar a organização rapidamente a um patamar global.

Durante todo o período de faculdade eu me perguntei por diversas vezes se aquela pesquisa estava certa. Agora, mais de três anos depois e com o meu TCC quase pronto, vejo que realmente RP já se apresenta como uma profissão de relevância presente e de extrema importância para o futuro.

Leitura recomendada: Socialnomics, Erik Qualman (infelizmente ainda não está disponível em português, mas vale a pena dar uma olhada e entender o valor da internet e das redes sociais na administração de relacionamentos).

O que RP faz

06/11/2010

A profissão de Relações Públicas é muito versátil e pode atuar em diversas áreas, muito embora muitos não consigam entender e aplicar este dinamismo que a profissão oferece.

Primeiramente para definir Relações Públicas o que mais vale ressaltar é um dos conceitos mais simples: RP é um canal de interação entre os públicos, ou seja, deve administrar o relacionamento entre as pessoas ligadas direta ou indiretamente à organização. Apesar de simples, este conceito traz uma abrangência imensa. Confira algumas das funções que um profissional de RP é capacitado a exercer:

Comunicação Interna: Faz a mediação das informações obtidas no âmbito interno da organização. Utiliza e cria meios para que a comunicação funcione bilateralmente e seja possível aprimorar tanto o ambiente de trabalho quanto sua administração.

Propaganda Institucional: Tem o objetivo de divulgar conceitos da empresa tanto em meios internos como externos. Nesta função é que se trabalha a imagem que a empresa deseja transmitir para seus funcionários ou para sociedade.

Comunicação Externa: Interação com o público externo, que é formado por: clientes (com o objetivo de manter o vínculo já existente), clientes em potencial (visando justamente conquistá-los), a mídia (com a finalidade de promover e manter a imagem da empresa) e a sociedade civil em geral (com o intuito de afirmar o papel da organização no meio em que está inserida).

Gestão de Crise: Administrar crises enfrentadas pela organização. Para isso deve criar ações que evitem, que amenizem e que resolvam crises. Esta também é uma área responsável por manter ou até reconstruir a imagem e a reputação da empresa.

Produção de Eventos: Um bom evento vai muito além de comida, bebida e boa música. Esta é uma função estratégica que requer um bom planejamento e uma execução competente. Um evento pode ser organizado tanto para colaboradores, gerando interação entre os participantes de uma organização, independentemente da hierarquia, como também para o público externo (clientes, clientes em potencial, mídia, etc) que servem para promover novos produtos e/ou serviços ou aproximar a empresa da sociedade.

Comunicação Comunitária e Responsabilidade Social: A oportunidade que a organização tem de devolver algo para a sociedade em que está inserida e se aproximar da mesma. Normalmente são trabalhadas ações sociais na comunidade. Por não visar diretamente o retorno financeiro, supera expectativas e fortalece a marca perante a opinião pública.

Planejamento: Uma área que exige muito conhecimento da organização, tanto do passado quanto do presente, para se fazer um futuro mais promissor. O planejamento estabelece novas ações, metas e objetivos. Não se apresenta pontualmente, mas sim de forma contínua: PLANEJAMENTO ==> EXECUÇÃO ==> AVALIAÇÃO ==> PLANEJAMENTO

Estas são apenas algumas das funções mais conhecidas, lembrando que não existem somente estas e, mesmo as que foram mostradas aqui, estão representadas de forma objetiva. Se você conhece ou pratica alguma outra função em RP mande seu comentário ou e-mail.

Leitura Recomendada: Obtendo Resultados com Relações Públicas: Como utilizar adequadamente as Relações Públicas em benefício das organizações e da sociedade em geral – MARGARIDA KUNSCH (org), 2009.

Histórico de RP no Brasil

04/11/2010

Para se entender uma profissão é necessário conhecer sua trajetória histórica.

RP apareceu no Brasil pela primeira vez em 1914, nos moldes americanos, através de uma empresa multinacional que desejava ter um departamento de Relações Públicas. Mesmo com esse marco inicial a área permaneceu inerte no país por mais de 40 anos, passando a ter um papel significativo somente após a década de 50.

As Relações Públicas foram grandemente utilizadas para ajudar na transição e instalação das multinacionais no Brasil na época dos “50 anos em 5″ de Kubitschek, que foi um bom momento devido ao desenvolvimento do meios de comunicação (rádio e televisão). Em 1954 surge então a ABRP – Associação Brasileira de Relações Públicas – e logo em seguida, em 1960, a função de RP é regulamentada pelo Estado brasileiro. A profissão na época atendia às necessidades das multinacionais, principalmente no quesito gerencial dos relacionamentos entre empresa e público.

Depois do golpe militar a profissão tomou um novo rumo, sendo vista pelo governo como uma função estratégica para divulgar as ideologias da Ditadura Militar. Para isso foi criada a primeira Assessoria Especial de Relações Públicas (AERP), que deveria administrar as relações públicas no Poder executivo.

Já nesta época, quem ocupava cargos de relações públicas tinha que ser graduado na área específica. Graças ao governo a profissão passou a ser mais popular, porém os profissionais em sua maioria passaram a ser chefiados por militares formados na área. Com isso, surgiu um grande problema, que foi a associação da imagem de RP com a Ditadura e com a manipulação de informações.

O que não estava relacionado a RP no governo sofreu censura e  a profissão ficou presa a comunicação interna informativa, a eventos e assessoria de imprensa. Ao mesmo tempo em que crescia a euforia do governo militar, foram se instaurando cursos improvisados de Relações Públicas.

Ao final da Ditadura a profissão teve que passar por mais uma reestruturação, mas agora com o dever de desvincular sua imagem com o antigo governo. Neste momento é que foram reunidos os cursos de Relações Públicas, Jornalismo, Audiovisual e Publicidade e Propaganda em uma só categoria chamada Comunicação Social.

A partir de então as pessoas passaram a visualizar a área de Relações Públicas com uma ênfase mais estratégica. Ao mesmo tempo também passou a ser trabalhada a idéia de Relações Públicas Comunitárias, atuando não somente em empresas e no governo, mas também em movimentos sociais e ONG’s.

Com o avanço da tecnologia na década de 90 e as constantes mudanças provenientes de tal progresso, as empresas – inclusive as muitas agências de comunicação surgidas na época – tiveram que correr para acompanhar as transformações. No meio acadêmico buscava-se ainda uma teoria que fosse adequada às necessidades nacionais e o papel de RP passou a ser questionado. Atualmente existem muitas definições e funções para RP, devido principalmente às muitas necessidades comunicacionais do Brasil.

Podemos afirmar, portanto, que a profissão de Relações Públicas é dinâmica, já que lida com públicos que estão em constante transformação.

Segue abaixo algumas dicas de leitura para maior aprofundamento na história de RP no Brasil. Lembre-se: somente com informação é que será possível ENTENDER RP

Referências:

Kunsch, Waldemar Luiz, 2006, Do mercado à academia: as relações públicas em seu primeiro centenário (1906-2006)

Disponível em: http://www.portcom.intercom.org.br/ojs-2.3.1-2/index.php/revistaintercom/article/viewFile/213/206

Ferrari, Maria Aparecida: O desenvolvimento das Relações Públicas nos países do Mercosul: história e trajetória da atividade

http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/7/70/GT2Texto009.pdf

Kunsch, Margarida; 1997, Relações Públicas e Modernidade; Novos Paradigmas na comunicação organizacional.

Leitura Recomendada:

História das Relações Públicas; Fragmentos da memória de uma área, 2008, Claudia Peixoto de Moura (org.)

Disponível em: http://www.portal-rp.com.br/livros/historiarp.pdf

Pontapé inicial

02/11/2010

Depois de muito estudo e pesquisas ficou evidente que a profissão de Relações Publicas é normalmente confundida com outras profissões ou é até mesmo desconhecida por grande parte da população brasileira. Assim, este blog tem como propósito centralizar as informações da Campanha ENTENDA RP, uma retomada de uma campanha organizada pela ABRP (Associação Brasileira de Relações Públicas) em 1982 que desejava difundir e valorizar a profissão de Relações Públicas. É importante que os profissionais e estudantes da área entrem em consenso sobre as atividades e funções, que as organizações conheçam a importância e função estratégica da profissão e também que a população em geral tome conhecimento de RP que,  por mais que não aparente, já está inserida no contexto brasileiro há quase 100 anos.

Se você deseja colaborar com o blog e a Campanha entre em contato através do e-mail entendarp@yahoo.com.br

Vamos fazer com que as pessoas cada vez mais ENTENDAM RP!


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